Lagos de Covadonga a partir de Oviedo de autocarro: guia e bilhetes
Quem vai a Covadonga costuma ir por duas coisas: o antigo santuário nas montanhas das Astúrias e os lagos glaciares Enol e Ercina, que ficam a mais de mil metros de altitude. Aqui há uma basílica de pedra cor-de-rosa e a Santa Cueva, a gruta a que se associa o início da Reconquista espanhola, e é daqui que partem os prados de montanha do Parque Nacional dos Picos de Europa. Fui no fim de setembro a partir de Oviedo, sem carro: num só dia consegui ver o santuário, dar a volta aos lagos e passear um pouco por Cangas de Onís. Conto como organizar tudo de autocarro, onde comprar os bilhetes, quanto tempo reservar para o passeio e como não errar a paragem para os lagos – há aí um pormenor que não é nada óbvio.

O que é Covadonga e porque se vai lá
Covadonga é um pequeno santuário nas montanhas das Astúrias, no norte de Espanha, e são também dois lagos doze quilómetros mais acima, pela estrada de curvas. Para os espanhóis é sobretudo um lugar histórico. No início do século VIII, por volta de 722, as tropas do visigodo Pelayo (Pelágio, em português) derrotaram aqui um exército árabe, e é a partir desta vitória que se costuma contar a Reconquista – os oito séculos em que os reinos cristãos recuperaram a península. Pelayo tornou-se o primeiro rei das Astúrias, e o seu minúsculo reino de montanha é visto como a semente da futura Espanha. Simplificando, para um espanhol Covadonga é ao mesmo tempo santuário e monumento nacional, um pouco como se Fátima e Aljubarrota ficassem no mesmo sítio.
Os lagos Enol e Ercina ficam mais acima, a pouco mais de mil metros, já dentro do Parque Nacional dos Picos de Europa. Foi o primeiro parque nacional de Espanha: criado em 1918 com o nome de «Montanha de Covadonga», foi alargado e rebatizado em 1995. Os ciclistas conhecem o sítio por outra razão: a subida aos lagos é o final de montanha mais famoso da Vuelta a Espanha, o equivalente local ao Alpe d’Huez.
Há um pormenor importante sobre a estrada para os lagos. De 1 de junho a 18 de outubro está fechada a carros particulares. Nesse período, o governo das Astúrias põe em funcionamento o chamado plano de acesso aos lagos (Plan de Transporte a los Lagos): só sobem autocarros especiais a partir de parques de estacionamento cá em baixo, e também se pode subir de táxi. A partir daqui chamo a este sistema simplesmente o plano de acesso. Por causa dele, o carro quase não traz vantagem, e a partir de Oviedo faz-se tudo com calma num dia, de autocarro. Fui numa quarta-feira no fim de setembro e é essa a versão que descrevo a seguir.
Como funciona o dia de transportes públicos
Pelo caminho é preciso apanhar vários autocarros, mas as ligações fazem-se sem grandes esperas:
- ALSA Oviedo – Cangas de Onís. Sai da estação de autocarros de Oviedo (Estación de Autobuses Pepe Cosmen), a viagem demora cerca de hora e meia e o bilhete custa cerca de 7 € por trajeto. Os lugares não são marcados e forma-se fila à porta do autocarro, por isso convém chegar um pouco antes.
- Lanzadera Cangas – Covadonga. É assim que aqui chamam ao autocarro-vaivém (shuttle) até ao santuário. Passa de meia em meia hora e a viagem demora vinte minutos. Com bilhete para os lagos é grátis, sem ele custa 1,55 €.
- Autocarro Covadonga – lagos. É o autocarro do plano de acesso, cerca de meia hora a subir pela estrada de curvas. O bilhete é só de ida e volta, com hora fixa de subida e de descida.
- Regresso. Autocarro dos lagos até Cangas (na época baixa normalmente sem transbordo, mais detalhes abaixo) e ALSA para Oviedo.

Comprei os bilhetes para os lagos com antecedência, online, e fiz bem: os bilhetes online têm prioridade e no local só se vende o que sobra. No fim de setembro, num dia de semana, havia muitos lugares e quase ninguém. Mas, pelo que se lê nas opiniões, em julho e agosto os bilhetes para cada dia esgotam com vários dias de antecedência.
Cangas de Onís: meia hora entre autocarros
Entre a chegada do ALSA e a partida da lanzadera tive cerca de meia hora. Deu para ir até à ponte romana – fica a uns quatrocentos metros da estação de autocarros – e voltar a tempo.
Chama-se romana por tradição. Na verdade é medieval, mais ou menos do século XIII, e talvez assente sobre antigos pilares romanos. Tem cinco arcos e, por baixo do mais alto, o do meio, está pendurada numa corrente a Cruz da Vitória. É o principal símbolo das Astúrias: segundo a tradição, Pelayo levou para a batalha de Covadonga uma cruz de madeira como esta, e hoje ela aparece na bandeira da região. O original está guardado na catedral de Oviedo; na ponte está uma cópia. Já agora, Cangas de Onís foi a primeira capital do Reino das Astúrias.

Pode-se chegar à ponte por dois lados: descer até à água e ver os arcos de baixo, ou subir para a própria ponte. O tabuleiro é de pedra e em lomba, e lá de cima veem-se os telhados da vila e as montanhas à volta.


A lanzadera para Covadonga parte da mesma estação de autocarros. Se já tiver o bilhete para os lagos, a lanzadera é grátis: basta mostrar o código QR ao motorista. Ainda assim, convém levar dinheiro vivo por precaução: nem sempre aceitam cartão, e 1,55 € paga-se mais facilmente em moedas.
O Santuário de Covadonga
A lanzadera chega lá acima e para mesmo junto à basílica. O santuário são vários pontos que se percorrem a pé: a basílica, a esplanada com o monumento a Pelayo, a Santa Cueva na rocha, a fonte e o pequeno lago lá em baixo, e um pequeno museu. A entrada na basílica e na gruta é gratuita, das oito da manhã às oito da noite; o museu custa cerca de 2,50 €. Para todo o recinto, com a basílica incluída, bastou-me uma hora; com o museu, é preciso acrescentar mais meia hora.
A basílica
A basílica vê-se logo da janela do autocarro: duas torres pontiagudas contra a montanha verde. Por fora parece medieval, mas foi construída entre 1877 e 1901, em estilo neorromânico, com calcário cor-de-rosa da região. O projeto é de Roberto Frassinelli, um alemão que vivia nas Astúrias, e a obra foi dirigida pelo arquiteto Federico Aparici. Com o céu nublado, a pedra cor-de-rosa parece quase cor de laranja.



À volta da basílica há um terraço com balaustrada. Por baixo passa a estrada por onde os autocarros descem, e do terraço percebe-se bem que o edifício assenta num esporão de rocha.



A basílica de vários ângulos: a estrada sob o terraço, a torre atrás do cedro e as flechas




A porta e as arcadas da fachada


O portal e os capitéis das colunas

Dentro da basílica
Lá dentro está meio escuro e as cores são quentes: a mesma pedra cor-de-rosa, abóbadas altas, lustres dourados em forma de anel pendurados em correntes. Ao fundo há um órgão fantástico, embutido diretamente na parede, o que é muito invulgar. Na abside, atrás do altar, há cinco janelas estreitas e uma grande cruz.


A nave da basílica



A abside, o órgão e um lustre
À direita do altar está uma imagem da Virgem com o Menino, toda rodeada de flores. É a Santina, padroeira das Astúrias; falo dela mais abaixo, na parte da gruta. Nos lustres estão gravados os nomes de quem os ofereceu, e entre as colunas pendem lamparinas.



Um lustre com inscrições, uma lamparina e a imagem da Virgem junto ao altar
Junto à entrada, num nicho, há um busto de bronze numa moldura barroca preta – um memorial ao bispo de Oviedo em cujo tempo a basílica foi concluída.


O memorial ao bispo Martínez Vigil junto à entrada
A esplanada e o monumento a Pelayo
O largo em frente à basílica é empedrado, nas extremidades estão as bandeiras de Espanha e das Astúrias e, ao centro, um Pelayo de bronze: numa mão segura uma cruz, a outra está erguida em direção à montanha. O monumento foi colocado em meados dos anos 1960, e no pedestal há uma inscrição que diz que «este pequeno monte será a salvação de Espanha».



O edifício com brasão na esplanada e o brasão visto de perto
O recinto à volta da basílica está bem cuidado: há um jardim com cedros e arbustos aparados e, no jardim, uma pequena torre redonda com ameias.

O hotel, o jardim e a fonte de 1896
O edifício comprido e amarelo ao lado da basílica é o Gran Hotel Pelayo. Foi construído para os peregrinos há mais de cem anos e continua a funcionar, sendo o único hotel dentro do próprio santuário. À frente tem um jardim com arbustos aparados e, junto à entrada, uma fonte de pedra com a data «1896» e uma cabeça de leão de onde ainda corre água. No fim de setembro, o jardim estava cheio das bagas vermelhas do pilriteiro e do azevinho.



A fonte de 1896 e a cabeça de leão vista de perto


Pilriteiro e azevinho no jardim
A Santa Cueva
É pela gruta que os espanhóis vêm até aqui. Da basílica desce-se por uma estrada e depois segue-se por um túnel escavado na rocha. A gruta em si não é bem uma gruta: é mais um nicho no alto de uma parede a pique. Lá dentro há uma pequena capela e, no sopé da rocha, um pequeno lago. Da estrada vê-se tudo de uma vez: a rocha, a capela no nicho e os edifícios amarelos do santuário por baixo.


Entra-se na gruta por um túnel aberto na rocha. À entrada do túnel, os peregrinos acendem velas e deixam flores: os copinhos vermelhos com velas estão alinhados em filas. Ali mesmo, contra a rocha, há uma velha cruz de pedra. Dentro do túnel, num nicho, estão três cruzes de madeira, o que resta de uma antiga via-sacra.




A inscrição na rocha e as velas à entrada do túnel

Dentro da gruta há bancos de madeira e um pequeno altar com a Santina, uma pequena imagem de madeira da Virgem. É o lugar mais sagrado das Astúrias. Segundo a lenda, antes da batalha Pelayo refugiou-se nesta gruta, onde um eremita guardava uma imagem da Virgem, e a vitória foi atribuída à intercessão dela. A imagem antiga ardeu num incêndio no século XVIII; a atual é do século XVI e foi cedida pela catedral de Oviedo. Aqui fica também o túmulo do próprio Pelayo: morreu em Cangas, e os restos mortais foram mais tarde trasladados para a gruta.



A capela na rocha e o pequeno lago por baixo
Do patamar junto à gruta vê-se um sino sob um pequeno alpendre na encosta em frente. Está mesmo no meio do bosque e é fácil não dar por ele. Por baixo da rocha ficam o edifício amarelo do santuário e uma escadaria que desce até à fonte, e junto aos edifícios há um candeeiro de ferro forjado com uma cruz.



O candeeiro de ferro forjado e os edifícios do santuário sob a rocha


A fonte dos sete canos e o pequeno lago
Por baixo da gruta ficam o pequeno lago e uma fonte de pedra. A água corre de uma Cruz da Vitória esculpida na rocha para uma taça com sete bicas. Os locais chamam-lhe a fonte do casamento: quem beber dos sete canos casa-se no prazo de um ano. Ao lado, no entanto, há uma placa a dizer que a água não é para beber. No lago atiram-se moedas – o fundo brilha.


A fonte dos sete canos e a basílica vista do ribeiro lá em baixo
Ali mesmo, junto ao pequeno lago, estão dois leões de pedra.


Onde apanhar o autocarro para os lagos
Com a paragem do autocarro para os lagos há um pormenor que não é óbvio. A lanzadera de Cangas para mesmo junto à basílica, mas o autocarro que sobe parte de um sítio completamente diferente – do parque de estacionamento El Peregrino (P5), mais abaixo na estrada. Não há grandes indicações, só uma pequena placa da ALSA. Da basílica são cinco a dez minutos a descer, pelo bosque num caminho de pedra ou pela berma da estrada.
Isto até dá jeito: a visita ao santuário organiza-se naturalmente de cima para baixo. Primeiro a basílica, depois a gruta, a seguir a descida até ao pequeno lago e à fonte dos sete canos e, dali, é só continuar pela estrada até à paragem. O essencial é não esperar o autocarro onde a lanzadera deixa os passageiros: o bilhete tem hora marcada e é fácil perder o autocarro.

Paragem do autocarro para os lagos em Covadonga
- Onde: parque de estacionamento El Peregrino (P5), abaixo do santuário, junto à estrada, placa da ALSA
- Desde a basílica: 5-10 minutos a pé, a descer
- Google Maps: localização da paragem
- Importante: os autocarros tardios das 18:50, 19:05 e 20:50 das linhas 1 e 2 não param em Covadonga
A estrada para os lagos
De Covadonga aos lagos são cerca de doze quilómetros de curvas, e o autocarro demora mais ou menos meia hora. Desde 1983, é por esta mesma estrada que passam as chegadas em alto da Vuelta: a inclinação média passa dos sete por cento e, no troço de La Huesera, «a dos ossos», chega aos quinze. Da janela do autocarro, primeiro só se veem os ganchos da estrada entre rochas de calcário; depois a estrada sai para prados abertos e começam as vacas.


Por volta do sétimo quilómetro, a estrada passa pelo miradouro Mirador de la Reina, com o nome da rainha Vitória Eugénia. O autocarro não para lá, mas num dia limpo vê-se da janela o vale e até a costa. Num dia nublado só se veem as encostas mais próximas.


A parte de cima da estrada: rochas, prados e nevoeiro

Lagos de Covadonga: o que há lá em cima
O autocarro para no parque de estacionamento de Buferrera, entre os dois lagos. Há um bar, casas de banho e, ao lado, o centro de visitantes «Pedro Pidal» (gratuito, aberto das dez às cinco e meia) e as antigas minas. É daqui que partem todos os trilhos.
Os lagos são dois. O Enol fica um pouco mais abaixo, a cerca de mil e setenta metros de altitude, e é maior e mais fundo. O Ercina fica mais acima e é mais raso, com só uns dois metros de profundidade. Ambos são glaciares, rodeados de montanhas de calcário nuas e de prados verdes. Há ainda um terceiro lago, o Bricial, mas só aparece depois das chuvas e do degelo.

Para caminhar há dois percursos principais. O circuito curto, com cerca de dois quilómetros e meio, passa pelas minas, pelo Ercina, pelo miradouro entre os lagos e pelo Enol, e volta ao parque de estacionamento. É uma hora de caminhada efetiva, duas a duas horas e meia com paragens. O circuito longo, marcado como PR-PNPE-2, tem cerca de seis quilómetros e uns cento e trinta metros de subida acumulada, e conta-se com quatro horas para ele. Fiz o curto: lá em cima começou a chover, e o circuito curto cabe precisamente nas duas horas e meia mínimas entre a subida e a descida do bilhete. Aconselho a descarregar antes um mapa offline, por exemplo o Maps.me: com ele é fácil ver por que caminho se vai.
O parque está muito bem arranjado. Os trilhos são empedrados, com corrimãos de madeira, e é agradável caminhar mesmo à chuva. E há vacas por todo o lado.
As minas de Buferrera
Pelo percurso aparecem os restos das minas de Buferrera: carris, uma vagoneta enferrujada entre muros de pedra, uma antiga escavação atravessada por um caminho com passadiços de madeira. Desde o fim do século XIX até aos anos 1970 extraía-se aqui manganês e ferro, e durante algum tempo a mina pertenceu a uma empresa inglesa.


A zona de piquenique sob as árvores e os carris da antiga mina



Trilhos empedrados com corrimão


Os passadiços de madeira sobre a escavação
Mirador del Príncipe
O miradouro do Príncipe das Astúrias, o Mirador del Príncipe, é um patamar redondo de pedra à beira de uma ravina, com uma placa comemorativa. Lá em baixo fica o vale plano e verde de Vega de Comeya, onde em tempos se tratava o minério das minas; atrás dele, cordilheiras de montanhas e, num dia limpo, vê-se a costa. As nuvens tapam a vista numa questão de minutos, por isso é melhor não demorar.



O patamar de pedra do miradouro e a placa




A vedação ao longo do trilho para o miradouro

Nevoeiro, vacas e cavalos
Mesmo num dia limpo, os lagos podem ficar rapidamente cobertos de nevoeiro, e é bom contar com isso. De manhã pode-se espreitar a webcam do lago Enol (há uma ligação no site oficial dos autocarros para os lagos, buslagoscovadonga.es) e a previsão de montanha da agência meteorológica espanhola AEMET. Um pôr do sol nos lagos é uma grande sorte; em setembro e outubro é melhor não contar com isso.


É assim uma nuvem que chega aos lagos em dois minutos
Há vacas por todo o lado: nos trilhos, junto à água, na estrada. São de uma raça de montanha local, ruivas, com chocalhos. No verão, os pastores sobem com os rebanhos para os prados de altitude, vivem em cabanas de pedra nas majadas e fazem o queijo Gamonéu, que cura em grutas aqui mesmo, nas montanhas. As vacas não ligam às pessoas, mas mesmo assim é melhor contorná-las com alguma distância.


As encostas sobre os lagos e uma das vacas locais
Lago Ercina
O Ercina é o mais pequeno dos dois lagos. Pode-se chegar mesmo junto à água: é rasa e transparente, há pedras na margem e, quando não há vento, as rochas refletem-se nela. No prado ao lado pastam cavalos. Com nevoeiro, a margem do outro lado desaparece e o lago parece maior do que é.



A margem do Ercina




Um cavalo alazão de crina clara

Mirador Entrelagos
Entre os dois lagos ergue-se a colina Picota e, no topo, fica o miradouro Entrelagos, «entre lagos». É o único sítio de onde se veem os dois lagos ao mesmo tempo, e só por isso vale a pena subir. Do Ercina sobe-se por um caminho empedrado com um muro de pedra, e a subida leva dez a quinze minutos. Lá de cima vê-se o Enol inteiro em baixo, com a volta da estrada ao longo da margem, e vacas a pastar na encosta.



Os dois lagos vistos da subida à Picota: à esquerda o Ercina, à direita o Enol


Um touro na encosta

Lago Enol
O Enol é bem maior do que o Ercina. Ao longo da margem passa a estrada por onde chega o autocarro e, mesmo junto à água, mantém-se uma antiga cabana de pastor. À volta crescem pilriteiros e há pedregulhos na erva. As vacas andam mesmo pelo trilho e não se desviam. O Enol tem uma tradição local: todos os anos, a 8 de setembro, tira-se do fundo do lago uma imagem da Virgem e leva-se em procissão.


A cabana na margem do Enol e uma vaca no trilho



Pilriteiros junto ao lago e uma vaca no trilho


A margem do Enol de dois lados




Hera e pilriteiro junto ao trilho
O circuito longo PR-PNPE-2
Se a visibilidade estiver boa e houver quatro horas, vale a pena fazer o circuito longo. Ao percurso curto juntam-se o Mirador del Príncipe, o prado de Bricial com o terceiro lago, que só aparece depois das chuvas, o faial de Palomberu e o prado de Vega de Enol, com a capela do Bom Pastor e um refúgio de montanha. Depois o trilho volta ao longo do Enol até ao parque de estacionamento. São cerca de seis quilómetros e uns cento e trinta metros de subida acumulada, e o trilho não é difícil. Mas com nevoeiro não faz sentido: quase não se vê nada, e o que importa aqui são as vistas!
Bilhetes para os lagos: como funciona
As regras do plano de acesso mudam todos os anos, por isso antes da viagem confirme no site oficial buslagoscovadonga.es. Em 2026 funcionava assim:
Bilhetes e horários do autocarro para os lagos (2026)
- Quando vigora o plano de acesso: de 1 de junho a 18 de outubro (mais a Páscoa, as pontes de maio e alguns dias no outono). Nesse período a estrada está fechada a carros particulares; sobe-se só de autocarro ou de táxi. O Santuário de Covadonga está sempre acessível
- Bilhete: só ida e volta, 9 € adulto, 3,50 € crianças até aos 12 anos, com hora fixa de subida e de descida. Mínimo de 2 horas e 30 minutos lá em cima
- Mudar a hora: até 2 horas antes do autocarro. Quem se atrasar tem de comprar novo bilhete, se houver lugares
- Linhas: o bilhete está associado a uma linha. Linha 1 – de Cangas de Onís (estação de autocarros, P1). Linha 3 – de Covadonga (P5) e de Muñigu (P3). Linha 2 – dos parques de estacionamento El Bosque e El Repelao
- Lanzadera Cangas – Covadonga: de 30 em 30 minutos, grátis com o bilhete para os lagos, sem ele 1,55 €. Em alsa.es pode ser comprada como uma viagem normal
- Horário de verão (até 30 de setembro): primeira subida às 8:00, última às 17:45, última descida às 20:50
- A partir de 1 de outubro: última subida às 16:00, última descida às 19:05
- Onde comprar: buslagoscovadonga.es ou alsa.es. Os bilhetes online têm prioridade; no local vende-se o que sobra, nas máquinas da estação de autocarros de Cangas e nos pontos de venda dos parques de estacionamento
- Parques de estacionamento: 2 € por dia em qualquer um dos parques do plano
O regresso: um autocarro para todas as linhas
O bilhete online vende-se só para uma linha. Comprei «de Covadonga para cima» e, para o regresso, o sistema só me oferecia até Covadonga. Na prática, havia um único autocarro a descer para todas as linhas, e levou-me até à estação de autocarros de Cangas sem transbordo. Não há garantias: oficialmente o terminal da linha 3 é Muñigu, e na época alta os autocarros, ao que parece, circulam separados. Na época baixa, pelos vistos, há um só autocarro. Ao entrar, convém perguntar ao motorista para onde vai.
Se o autocarro só for até Covadonga, dali para Cangas há a lanzadera de meia em meia hora, e com o bilhete para os lagos é grátis.
Cangas de Onís à noite: a ponte, a marginal e as sidrerías
À noite, entre o autocarro dos lagos e o ALSA para Oviedo, sobra uma hora a hora e meia em Cangas. Convém ver antes a hora do autocarro de regresso: se à chegada não teve tempo de ir à ponte e subiu logo, guarde tempo para ela pelo menos à noite. A vila é pequena e fica tudo perto da estação. Além da ponte, vale a pena ver a capela de Santa Cruz: foi construída em 737 sobre um dólmen, um antigo túmulo de pedra, e hoje o dólmen pode ver-se lá dentro. E simplesmente passear pela marginal do rio Sella – da ponte nova vê-se a ponte velha e as montanhas na direção de Covadonga.


O rio Sella em Cangas. Da ponte veem-se as esplanadas dos cafés na margem



O centro de Cangas junto à ponte. À noite, as esplanadas enchem-se
Para jantar em Cangas, o melhor é uma sidrería. É o formato de casa asturiano em que a bebida principal é a sidra natural, sem gás e sem filtrar. Serve-se do alto, com o braço levantado: o jorro bate na borda do copo, a sidra liberta o gás carbónico da fermentação e, durante uns segundos, fica ligeiramente espumante, com um sabor mais suave e mais vivo. Por isso serve-se pouco de cada vez, um ou dois dedos, e bebe-se logo. Para comer, há aqui dois pratos principais. A fabada – um caldo espesso de feijão branco com chouriço e morcela. O cachopo – um grande bife panado de vitela, recheado com presunto e queijo; uma dose dá para duas pessoas.
Onde comer em Cangas de Onís
- El Polesu – sidrería a 250 metros da estação de autocarros, fabada e cachopo
- La Marivuelta – sidrería-restaurante, menú del día (almoço com vários pratos) por cerca de 18 €, servem depressa
- Llantares de Pelayo – menú por cerca de 22 €
- Cachopo – uma dose dá para dois, peça só uma
Táxi
Se o autocarro não der jeito em termos de horário, há táxis:
- Táxi coletivo para os lagos. Enquanto vigora o plano de acesso, saem de Covadonga táxis coletivos da Taxitur: cerca de 12 € por pessoa ida e volta, sem reserva, partem à medida que enchem, até às 19:00. Levam mais acima do que o autocarro – até ao próprio Ercina
- Táxi normal Covadonga – Cangas (12 km): Taxitur +34 985 84 87 97, Taxi Javi +34 608 25 68 98. À noite é melhor reservar antes
O que levar
- Roupa por camadas: lá em cima faz 5 a 8 graus menos do que no vale. No fim de setembro não tive frio lá em cima
- Impermeável ou guarda-chuva: obrigatório. A chuva nos lagos faz parte normal do dia
- Água e algo para comer: há um bar no parque de estacionamento, mas tem filas
- Calçado com boa sola: os trilhos são empedrados, mas depois da chuva as pedras escorregam
- Dinheiro vivo: 3-4 € para a lanzadera, caso o motorista não aceite cartão
Informações práticas
Informações práticas
- Santuário de Covadonga: basílica e Santa Cueva gratuitas, 8:00-20:00. Museu cerca de 2,50 €
- GPS da basílica: 43.3093, -5.0547
- GPS dos lagos (parque de Buferrera): 43.2753, -4.9853
- A partir de Oviedo: ALSA da estação de autocarros Pepe Cosmen até Cangas de Onís, cerca de 1 h 35 min, cerca de 7 € por trajeto. Mais ou menos um autocarro por hora
- Cangas – Covadonga: lanzadera de 30 em 30 minutos, 20 minutos de viagem, 1,55 € ou grátis com o bilhete para os lagos
- Covadonga – lagos: autocarro do plano de acesso, cerca de 30 minutos, bilhete de 9 € ida e volta
- Quanto tempo: santuário 1-1,5 horas, lagos 2,5 horas (circuito curto) ou 4 horas (circuito longo), Cangas 1-1,5 horas
- Centro de visitantes nos lagos: 10:00-17:30, gratuito
- Sites oficiais: buslagoscovadonga.es, alsa.es
- Paragem para os lagos em Covadonga: P5 El Peregrino
Dica: Os horários, os preços e as datas do plano de acesso mudam todos os anos. Antes da viagem, confirme os dados atualizados em buslagoscovadonga.es e alsa.es e, de manhã, espreite a webcam do Enol e a previsão da AEMET para a montanha.
Vale a pena ir sem carro?
Sim, e na época alta é mesmo a única opção. A partir de Oviedo faz-se um dia tranquilo: de manhã o santuário, à hora de almoço os lagos, à noite sidra em Cangas e o autocarro de volta. O essencial é não errar a paragem em Covadonga e não perder o autocarro dos lagos.
Com o tempo não tive muita sorte: lá em cima começou a chover e as montanhas estavam sempre a ficar tapadas pelas nuvens. Mas gostei da viagem na mesma: o parque está bem cuidado, havia pouca gente e vacas por todo o lado. Da próxima vez quero fazer o circuito longo, já num dia limpo.
FAQ
De autocarro ALSA da estação de autocarros de Oviedo até Cangas de Onís (cerca de 1 h 35 min), depois de lanzadera até Covadonga (20 minutos) e no autocarro do plano de acesso até aos lagos (cerca de 30 minutos). Todos os bilhetes, exceto o do ALSA, podem ser comprados em buslagoscovadonga.es. O dia inteiro sem carro leva cerca de 10-11 horas.
De 1 de junho a 18 de outubro e nos feriados, a estrada para os lagos está fechada a carros particulares. Nesse período vigora o plano de acesso: só sobem autocarros a partir dos parques de estacionamento de Cangas, Covadonga e Muñigu, ou táxis. Fora dessas datas pode-se subir de carro.
O bilhete de ida e volta custa 9 € para adultos e 3,50 € para crianças até aos 12 anos. A lanzadera Cangas – Covadonga está incluída neste bilhete; à parte custa 1,55 €. O estacionamento em qualquer parque do plano custa 2 € por dia.
Não parte da basílica, onde a lanzadera deixa os passageiros, mas do parque de estacionamento El Peregrino (P5), mais abaixo na estrada, onde há uma placa da ALSA. Da basílica são 5-10 minutos a pé, a descer. O bilhete tem hora marcada, por isso é melhor descer com tempo.
O mínimo do bilhete é de 2,5 horas lá em cima, e chega para o circuito curto: as minas, o lago Ercina, o miradouro Entrelagos e o lago Enol. Para o circuito longo PR-PNPE-2, com o prado de Bricial e o faial, são precisas cerca de 4 horas.
A melhor visibilidade é nos dias limpos de maio a outubro, mas aqui há nevoeiro e nuvens em qualquer estação. De manhã convém ver a webcam do lago Enol e a previsão de montanha da AEMET. Em julho e agosto, os bilhetes de autocarro esgotam com vários dias de antecedência; em setembro, nos dias de semana, compram-se facilmente no próprio dia.
O santuário: a basílica neorromânica de calcário cor-de-rosa, a Santa Cueva com a imagem da Santina e o túmulo de Pelayo, a fonte dos sete canos e o pequeno lago por baixo da gruta. Tudo isto leva 1-1,5 horas. Em Cangas de Onís vale a pena ir à ponte medieval com a Cruz da Vitória e à capela de Santa Cruz, construída sobre um dólmen.