Grande Buda de Leshan, China: Guia Completo do Percurso

O maior Buda de pedra do mundo — 71 metros, esculpido diretamente na falésia, por cima do ponto onde se encontram três rios. Mas o Buda de Leshan não é apenas um local para tirar uma fotografia; é um percurso de meio dia: grutas, templos, uma descida íngreme até mesmo aos pés da estátua, barcos no rio e um templo tranquilo numa ilha, no final. Aqui fica como percorri tudo.

Cabeça do Grande Buda de Leshan vista da plataforma superior
A famosa cabeça, vista da plataforma panorâmica. É aqui que começa a descida até aos pés — ao longo de toda a estátua

O Que É, Afinal, o Grande Buda de Leshan

O Grande Buda de Leshan (乐山大佛, Leshan Dafo) é a maior estátua de pedra de Buda do mundo. Trata-se de um Buda Maitreya sentado, com 71 metros de altura, esculpido diretamente no arenito vermelho da Montanha Lingyun, no ponto onde três rios — o Min, o Dadu e o Qingyi — se juntam. Os ombros têm 28 metros de largura, cada orelha mede 7 metros (feitas de madeira revestida a argila) e um adulto consegue sentar-se na menor das unhas dos pés.

Os trabalhos começaram por volta do ano 713 d.C., durante a dinastia Tang. A ideia foi de um monge chamado Haitong: a confluência dos rios era perigosa para os barcos, e ele acreditava que um Buda gigante acalmaria as águas turbulentas. Não viveu o suficiente para o ver concluído — os seus discípulos deram continuidade à obra, e a estátua só ficou terminada por volta do ano 803 d.C., quase 90 anos depois. Desde 1996 é Património Mundial da UNESCO, juntamente com o Monte Emei.

O percurso pelo parque funciona como um circuito: entra-se no topo e desce-se até à cabeça, há uma escadaria íngreme até aos pés, sobe-se pelo outro lado e, finalmente, atravessa-se uma ponte até uma ilha vizinha com o tranquilo Templo Wuyou. Percorri tudo, e vou guiar-vos pela ordem certa — exatamente como vai surgindo.

A Entrada e a Caminhada até ao Buda

O parque começa muito antes do próprio Buda. A partir do portão, abre-se uma ampla praça com uma fonte em forma de dragão e canteiros de flores — no inverno plantam aqui poinsétias vermelhas e brancas. A seguir surgem os enormes portões de pedra paifang, da cor do mel, completamente cobertos de entalhes: figuras de guardiões erguem-se sobre as colunas, detalhadas e impressionantes.

A praça de entrada com a sua fonte e o portão paifang principal. De manhã está quase vazia

Figura de guardião esculpida numa coluna do portão
Cada coluna do portão é, por si só, uma escultura de um guardião

Do portão até aos verdadeiros postos de controlo do parque ainda há uma caminhada — cerca de 15 a 20 minutos. Se preferir não caminhar, ou se for com crianças, há mini-carrinhos elétricos (ao estilo dos carrinhos de golfe) que percorrem a praça e o levam até ao início do percurso.

Se não lhe apetecer caminhar, estes carrinhos circulam pela praça

Logo junto à entrada há um Luckin Coffee — uma enorme cadeia chinesa, barata e genuinamente boa. Eu pediria o latte de coco. Uma coisa a ter em conta: este é um local turístico, por isso os preços aqui são bastante mais altos do que num Luckin normal da cidade.

Copo do Luckin Coffee em frente a um templo no Grande Buda de Leshan
Luckin Coffee mesmo à entrada — opte pelo latte de coco. Mais caro do que na cidade, mas bom

Antes da subida, procure os grandes mapas do parque — estão junto à entrada, identificados em inglês como “Guide Map of Leshan Giant Buddha Scenic Area.” Mostram todo o percurso: a montanha com o Buda, o rio, o cais dos barcos e a ilha vizinha. Tire uma fotografia a um deles — ajuda a não se perder.

Fotografe o mapa à entrada — vai dar-lhe jeito

Um pouco mais à frente, surge na falésia um grande símbolo dourado em forma de selo, embutido numa parede de tijolo semicircular cujos nichos estão igualmente cobertos de entalhes.

Símbolo dourado em forma de selo esculpido na falésia do Grande Buda
Este selo dourado na falésia é difícil de não reparar

A Gruta de Maitreya e a Subida da Montanha

Antes de começar a subida das escadas, o percurso leva a uma pequena gruta escavada na rocha. Lá dentro, na penumbra, está sentado um Buda Maitreya de pedra — o Buda do futuro, que, segundo a crença budista, virá ao mundo depois da era presente. Na China é normalmente representado roliço e sorridente, e é assim que está aqui esculpido.

A Gruta do Maitreya Bem-Aventurado. A estátua passa facilmente despercebida — está quase escuro lá dentro

Ao lado há um painel informativo. Estão todos duplicados em inglês ao longo do percurso, por isso é fácil perceber o que se está a ver. Este é o “Cave of Blissful Maitreya” (喜生弥勒洞): situa-se no local de um antigo templo e é dedicado ao futuro Buda Maitreya.

A seguir vem um troço de escadarias de pedra a subir e descer através de uma floresta densa e verde. Dos patamares superiores tem-se uma vista do rio e da cidade de Leshan na margem oposta — um canal largo com bancos de areia e arranha-céus ao longe.

Escadaria de pedra com corrimãos na floresta da Montanha Lingyun
Vista do rio e da cidade de Leshan a partir de um miradouro
Dos patamares superiores tem-se uma vista do rio e da cidade do outro lado da água

O Museu, as Grutas e os Entalhes da Montanha Lingyun

Pelo caminho há um pequeno museu — salas com caligrafia, documentos antigos e pinturas atrás de vidro. Leshan é a terra natal de Guo Moruo, um conhecido escritor e historiador chinês do século XX, e grande parte da exposição é dedicada a ele e à cultura local. Se estiver cansada das escadas, é um bom pretexto para uma pausa no fresco.

Vale a pena uma espreitadela, e é uma oportunidade para descansar das escadas

Mais à frente, um ramo do caminho passa por um arco coberto de vegetação — a entrada da Gruta Qianfeng (千峰洞, “Gruta dos Mil Picos”). Há flores ao longo dos degraus. Lá dentro, as paredes estão cobertas de entalhes: estelas com inscrições, relevos de Buda, baixos-relevos.

Túnel de trepadeiras sobre a escadaria na Gruta Qianfeng
A entrada da Gruta Qianfeng — um arco de ramos por cima dos degraus

Estelas, relevos e figuras de sábios no interior da gruta

Buda esculpido e cenas numa parede da gruta

Os telhados dos templos também merecem atenção — com os seus beirais voltados para cima e as cumeeiras decorativas. Dragões e feras de cerâmica assentam nos cantos: os guardiões tradicionais dos templos chineses.

Feras de cerâmica guardiãs assentam nos cantos do telhado

A Gruta do “Livro das Mutações” — um Recanto Taoista

Uma parte distinta e bastante inesperada do percurso é a Gruta Zhuyi (注易洞), a “Gruta da Anotação do Yijing.” É um local taoista: foi aqui que outrora se estudou o I Ching, o antigo “Livro das Mutações” chinês. Uma estela com uma longa inscrição ergue-se à entrada, e o painel em inglês explica-o: a estela do “Yijing Annotation Cave” tem 1,7 metros de altura e data da dinastia Ming.

Estela com inscrição na Gruta da Anotação do Yijing
Uma estela da era Ming à entrada da gruta

Lá dentro há imagens esculpidas em pedra: um imortal taoista a cavalgar uma fera, cartas celestes identificadas com as “28 mansões lunares” (o zodíaco chinês dividia o céu em quatro setores — o Dragão Azul, a Ave Vermelha, o Tigre Branco e a Tartaruga Negra), e ao centro da sala um grande símbolo yin-yang embutido no chão, rodeado de trigramas.

Cartas celestes esculpidas diretamente na pedra

Sala da gruta com um símbolo yin-yang no chão e trigramas
Um grande símbolo yin-yang embutido no chão, ao centro da sala
Entalhe de um imortal sentado com um símbolo de equilíbrio

Antes do troço seguinte, há mais uma estela com uma paisagem montanhosa esculpida e toda uma parede de falésia coberta de minúsculos caracteres — do tipo onde habitualmente se esculpem sutras.

Uma paisagem esculpida e uma parede com um sutra gravado

Templo Lingyun

O templo principal da montanha é o Mosteiro Lingyun (凌云寺), um templo budista em funcionamento que está aqui há mais tempo do que o próprio Buda. Há muito trabalho fino no interior: um teto de caixotões dourado e entalhado, filas de portas de madeira com painéis ornamentais — paisagens, lótus, flores.

Teto de caixotões dourado e entalhado no Templo Lingyun
O teto de caixotões dourado da sala principal

Tive a sorte de apanhar os monges durante uma cerimónia — sentados em filas, de túnicas vermelhas, diante do altar. Não se vê com frequência, e este lado quotidiano do templo fica connosco ainda mais do que o ouro e os entalhes. Por perto, varas de incenso fumegam e ardem velas coloridas em forma de lótus — vermelhas, cor de laranja, verdes, amarelas.

Monges de túnica vermelha numa cerimónia no Templo Lingyun
Monges numa cerimónia. Não se apanha isto sempre
Portas de madeira esculpidas e ornamentadas no templo
Varas de incenso a fumegar no templo
O incenso arde constantemente à entrada da sala
Velas coloridas em forma de lótus no templo
Pormenor de entalhe numa porta de madeira do templo
Velas em forma de lótus

Na sala principal há três Budas dourados, com mesas de oferendas à frente. Numa das paredes pendem centenas de fitas vermelhas e tabuinhas de madeira com desejos, escritas por peregrinos, muitas carimbadas com o selo “Lingyun.” Ao lado erguem-se estátuas douradas dos Reis Celestiais — os guardiões dos pontos cardeais; reconhece-se um pelo alaúde pipa que tem nas mãos.

Três Budas dourados na sala principal do Templo Lingyun
Três Budas dourados na sala principal
Painel de porta de madeira esculpida com um lótus
Parede de fitas vermelhas e tabuinhas de desejos no Templo Lingyun
Centenas de fitas de desejos — muitas carimbadas com o selo do Templo Lingyun
Estátua dourada de um Rei Celestial com um alaúde pipa
Duas estátuas douradas de Reis Celestiais guardiões
Os Reis Celestiais — guardiões dos pontos cardeais. Reconhece-se um pelo seu alaúde pipa

A Cabeça do Buda e a Descida até aos Pés

Atrás do templo, o caminho desemboca na plataforma panorâmica superior, e fica-se ao nível da cabeça do Buda. Repare nos pormenores: segundo a Wikipédia, o cabelo é composto por 1.021 caracóis enrolados, e as orelhas chegam aos sete metros. Escondido entre os caracóis há um sistema de drenagem — canais ocultos no cabelo, no colarinho e atrás das orelhas escoam a água da chuva; é em grande parte graças a isto que a estátua se mantém de pé há mais de 1.200 anos.

Rosto do Grande Buda de Leshan por entre ramos de árvores
O rosto do Buda, vislumbrado por entre os ramos

Da plataforma junto à cabeça tem-se uma vista clara de toda a falésia e do rio em baixo — o canal largo, os bancos de areia, a cidade do outro lado da água. É também aqui que se junta a maior multidão, mesmo junto ao Buda.

Vista da falésia e do rio a partir do Grande Buda de Leshan
Pessoas na plataforma superior junto à cabeça do Grande Buda
A maior multidão junta-se mesmo junto à cabeça do Buda
Vista do rio com um barco turístico a partir do Grande Buda
De cima vê-se os barcos turísticos no rio — também se pode chegar até ao Buda por água

Mesmo antes da descida, vale a pena espreitar a Gruta de Haitong (海师洞) — a cela-gruta do próprio monge que concebeu o Buda. Não se pode entrar: só se consegue espreitar de fora, através de uma barreira — está vazia e escura lá dentro. Por perto ergue-se uma estátua branca de Haitong.

Entrada da gruta do monge Haitong na falésia
A cela-gruta de Haitong — o monge que fundou o Buda
Interior escuro da gruta do monge Haitong
Estátua branca do monge Haitong junto à falésia
A estátua branca de Haitong junto à falésia

Haitong foi um monge budista do século VIII, e todo o projeto começou com ele. Durante anos recolheu esmolas para a estátua, convicto de que um Buda acalmaria as águas perigosas no encontro dos três rios. Quando autoridades locais tentaram apoderar-se dos fundos que ele reunira, conta-se que arrancou os próprios olhos — para provar que o dinheiro se destinava ao Buda e a mais nada. Não viveu o suficiente para ver a obra terminada; os seus discípulos concluíram-na.

Vista da falésia e do rio com um barco turístico durante a descida
A descer, vê-se o rio e os barcos turísticos em baixo

A descida até aos pés faz-se pelo “Caminho de Pranchas das Nove Curvas” (九曲栈道), escavado na falésia a pique: 278 degraus, nove curvas apertadas e, no ponto mais estreito, apenas 0,6 metros de largura — só em fila indiana. Não é a descida mais fácil: as escadas são íngremes e estreitas, e em certos pontos é quase uma falésia vertical com correntes e corrimãos ao longo da borda. Mas não se deixe intimidar — os corrimãos são sólidos, pode ir com calma, e qualquer pessoa em forma razoável consegue. E o melhor é que é interessante por si só: desce-se praticamente por dentro da rocha, ora por degraus abertos sobre a água, ora por uma galeria coberta escavada na pedra, ora por um túnel escuro e estreito iluminado por uma única lâmpada.

As escadas são íngremes mas os corrimãos são sólidos — desce-se mesmo por cima da água

Parte do caminho passa por uma galeria na rocha e por um túnel estreito

Mesmo no fundo, junto aos pés do Buda, há uma plataforma. Daqui vê-se toda a estátua, e só agora a escala nos atinge: estamos junto aos pés, e a cabeça está algures lá no alto. De baixo também se veem claramente os nichos laterais da falésia com as suas pequenas estátuas.

Dos pés vê-se todo o Buda. Só aqui é que a verdadeira escala nos atinge

Aos Pés do Buda: Barcos e Gaivotas

A plataforma junto aos pés é um lugar à parte. Barcos turísticos passam no rio mesmo à frente: pode-se andar num deles à parte do percurso a pé. O passeio dura cerca de 30 minutos; o barco aproxima-se do Buda por água e para alguns minutos à frente dele — a única forma de ver a estátua de frente, na íntegra, como foi pensada para ser vista. Só não se pode embarcar junto aos pés: os barcos partem de um cais separado, o Cais de Jiazhou (Jiazhou Ferry Pier), junto à entrada do parque (e do cais do Templo Wuyou em época de águas baixas). É um bilhete à parte, cerca de 70 yuans (≈ 9 €); não há horário fixo — o barco parte assim que tiver passageiros suficientes. Se tiver tempo, vale a pena fazer tanto o percurso como o barco: a caminhada dá-lhe o pormenor, o barco dá-lhe o conjunto.

Os barcos aproximam-se do Buda por água. Há sempre gaivotas a voltear à sua volta

As pessoas também dão de comer às gaivotas a partir da plataforma junto aos pés. As aves chegam em bando, pairam sobre a água e apanham a comida em pleno voo. Voltejam à volta dos barcos e por cima da plataforma — barulhentas e vivas; as crianças adoram.

A Subida de Regresso e a Saída do Parque

Dos pés do Buda o percurso conduz de volta — mas não pelas mesmas escadas; sobe-se pelo outro lado. Primeiro regressa-se por túneis e grutas escavados na montanha, com pilares de pedra toscamente talhados, e depois começa a subida.

Gruta na rocha com pilares toscamente talhados
Túnel escavado no arenito vermelho
O caminho de regresso passa por túneis e grutas escavados na montanha

A subida deste lado é também uma escadaria ao longo da falésia, com corrimãos vermelhos. Dela vê-se claramente aquela descida íngreme do início do percurso — a parede a pique com as escadas a descer por ela como uma fita fina em direção ao Buda. De baixo percebe-se como o caminho desce abruptamente até à água.

A subida pelo outro lado. Daqui vê-se a descida acentuada do início do percurso — quase uma parede vertical

Caminho ao longo da falésia com pessoas e vista da cidade do outro lado do rio
Barco turístico em grande plano no rio
O caminho serpenteia pela borda; lá em baixo os barcos continuam a ir e vir

A seguir vem a saída do parque. À saída ergue-se uma galeria de madeira coberta, com lanternas vermelhas ao longo de uma rua antiga, que conduz a uma torre de portão de vários andares. A parte principal do percurso já ficou para trás neste ponto.

Rua antiga com lanternas vermelhas e torre de portão à saída do parque
À saída — uma rua antiga coberta com lanternas vermelhas

O Museu dos Túmulos Rupestres Han de Mahao

Logo a seguir à saída do parque, antes da ponte, há um edifício à parte com portões vermelhos — o Museu dos Túmulos Rupestres de Mahao (麻浩崖墓). São túmulos escavados na rocha ainda na dinastia Han (25–220 d.C.), com um pequeno museu anexo. Sobrevivem relevos nas paredes dos túmulos: cortejos com carros e cavalos, cenas de banquetes, cavalos a pastar. Há também um pormenor que ecoa o Grande Buda mesmo ao lado — por cima de um dos túmulos está esculpido um minúsculo Buda sentado, uma das mais antigas imagens budistas da China. Se ainda lhe restar energia, vale a pena dar uma vista de olhos.

O Museu dos Túmulos de Mahao junto à saída do parque — relevos da era Han de cavalos e carros

A Ponte e a Ilha com o Templo Wuyou

Muita gente salta esta parte — e é uma pena. Mais à frente, a Ponte Haoshang (濠上大桥) atravessa o rio — uma ponte em arco com pavilhões cobertos, que leva à ilha-colina vizinha de Wuyou. Madeira quente, arcos cor de laranja, um reflexo na água — fica bem tanto de longe como de perto.

A Ponte Haoshang leva à ilha com o Templo Wuyou

Ponte Haoshang em arco com pavilhões, vista da margem
A ponte reflete-se lindamente na água

Na ilha ergue-se o Templo Wuyou (乌尤寺) — um antigo mosteiro budista no cimo da colina. Antes da subida, procure o mapa: está identificado em inglês como “Leshan Wuyou Temple Scenic Spot Diagram” e mostra todas as sete salas e os caminhos. A subida é curta e faz-se por escadarias de madeira através da floresta.

Escadaria de madeira a subir pela floresta até à Colina Wuyou
A subida ao Templo Wuyou faz-se por escadarias na floresta

O mapa do Templo Wuyou está identificado em inglês — fácil de encontrar todas as sete salas

No topo há uma pequena sala de Wuyou com um incensário de bronze à entrada, com as asas em forma de cabeças de elefante. Depois dela, o caminho desce até ao templo principal, maior.

Um antigo incensário de bronze com cabeças de elefante nas asas

A descida até ao templo principal

O Templo Wuyou Principal — Calma no Final

Das varandas do templo há uma vista do rio e dos campos ao longe, e no outono o lugar fica coberto de crisântemos — dispostos em centenas de vasos, amarelos, cor-de-rosa, vermelho-escuros.

Das varandas do Templo Wuyou — uma vista do rio e dos campos

No outono o templo expõe centenas de vasos de crisântemos

Velas de incenso vermelhas a arder no Templo Wuyou
Cabeça de dragão dourada e crisântemos no Templo Wuyou
Uma cabeça de dragão de dança, mesmo no meio das flores

Pavões passeiam pelo pátio do templo — reais, vivos, a desfilar por entre os vasos de flores. Ao centro do pátio ergue-se um pavilhão octogonal, rodeado por galerias vermelhas. Quase não há ninguém aqui: o Templo Wuyou fica fora do fluxo principal de visitantes, e é esse o seu grande encanto.

Dois pavões no pátio do Templo Wuyou por entre as flores
Os pavões aqui são reais e completamente indiferentes às pessoas
Crisântemos cor-de-rosa em grande plano no Templo Wuyou
Pátio do Templo Wuyou com um pavilhão octogonal e pavões
Quase não há ninguém aqui — e é exatamente por isso que é tão sereno
Cabeça de dragão dourada e flores no vermelho Templo Wuyou

O ponto alto aqui é a Sala dos Arhats (Luohan Tang). É uma sala comprida, forrada em ambas as paredes com 500 estátuas pintadas de arhats — santos budistas — e não há duas iguais: cada uma tem o seu próprio rosto, pose e expressão. Ao centro está uma figura sobre um pavão de cauda aberta. É o número impressionante e a variedade que fazem o lugar.

Arco com um trono de pavão diante de uma sala no Templo Wuyou
Sala dos Arhats no Templo Wuyou com filas de 500 estátuas pintadas
A Sala dos Arhats: 500 estátuas pintadas ao longo das paredes, não há duas iguais

Já perto do fim, o templo esvazia-se por completo. Numa das salas encontrei um gato do templo, a dormitar junto a uma almofada ritual bordada com um lótus — ao que parece, o único verdadeiramente em casa aqui. Nas salas mais afastadas estão uma Guanyin dourada de mil braços sob um teto pintado e um Buda Amitabha dourado num nicho vermelho.

O gato do templo — ao que parece, o verdadeiro morador destas salas

Vistas do rio a partir do templo — por entre as flores e através de uma janela esculpida

Nicho vermelho com um Buda Amitabha dourado no Templo Wuyou
Arco com caracteres dourados que dizem
A sala de Amitabha — o Buda da Vida Infinita. É exatamente o que dizem os caracteres no arco
Escadaria de pedra a descer com flores ao longo da parede, a sair do Templo Wuyou
A descer os degraus — e o percurso está concluído

Uma Dica de Tempo: Onde Terminar o Percurso

A minha melhor dica de toda a viagem — planeie de forma a deixar o Templo Wuyou para o fim. A maioria dos visitantes volta para trás logo a seguir aos pés do Buda e nunca chega à ilha, por isso, ao fim do dia, quase não há ninguém aqui. O Buda principal está sempre cheio de gente, mas aqui há pavões, crisântemos, vistas do rio e total tranquilidade. É o final calmo perfeito depois da movimentada descida até à estátua.

Todo o percurso — desde a entrada, por onde se começa, até ao fim no Templo Wuyou — demora cerca de 2 a 3 horas. O parque está aberto das 7h30 às 18h30 no verão (1 de abril a 7 de outubro) e das 8h00 às 17h30 no inverno (8 de outubro a 31 de março). Para chegar a Wuyou sem pressas, entre pelo menos 3 horas antes do encerramento — ou seja, o mais tardar às 15h30 no verão e às 14h30 no inverno. E para apanhar a ilha o mais vazia possível, guarde-a mesmo para o fim: a maior parte da multidão já terá rareado a essa hora.

Informações práticas

  • Onde: Grande Buda de Leshan, Montanha Lingyun, Leshan, Província de Sichuan, China
  • GPS: 29.5447, 103.7739
  • Horário: 1 de abril a 7 de outubro, 07h30–18h30; 8 de outubro a 31 de março, 08h00–17h30
  • Bilhete: época alta (1 abr – 7 out) 80 yuans (≈ 10 €), época baixa 50 yuans (≈ 6,50 €); gratuito para crianças com menos de 1,2 m e menores de 6 anos, e para visitantes a partir dos 65 anos
  • Barco: ≈ 70 yuans (≈ 9 €), bilhete à parte; parte do Cais de Jiazhou junto à entrada do parque, ≈ 30 minutos
  • Reserva: limite diário de 26.000 visitantes — compre online com pelo menos um dia de antecedência (mini-programas “Dafu Tourism” no WeChat ou Alipay)
  • Duração: 2 a 3 horas só para o percurso até ao Templo Wuyou; com o barco e as filas, cerca de meio dia
  • Visto: os cidadãos portugueses precisam de visto para a China — as condições mudam com frequência, por isso confirme sempre antes de viajar

Como Chegar

  • A partir de Portugal: não há voos diretos. De Lisboa ou do Porto voa-se para Chengdu normalmente com escala em Istambul (ou noutro hub asiático), e daí apanha-se o comboio de alta velocidade até Leshan — cerca de 1 hora
  • A partir de Chengdu: comboio de alta velocidade de Chengdu Este ou Chengdu Sul até à estação de Leshan — cerca de 1 hora. Da estação de Leshan, o autocarro n.º 3 leva ao parque, mais uns 45 minutos
  • Dentro do parque: da entrada até ao início do percurso pode caminhar ou apanhar um carrinho elétrico

Dicas

  • Chegue à hora de abertura: menos gente de manhã e sem fila para a descida até aos pés do Buda
  • Calçado confortável é indispensável — há muitos degraus íngremes a subir e a descer ao longo do dia
  • A descida das Nove Curvas é íngreme mas segura: há corrimãos, basta ir com calma
  • Leia os painéis — quase todos estão duplicados em inglês e explicam o que tem à sua volta
  • Combine o percurso a pé com o barco: da água vê-se o Buda por inteiro, como foi pensado
  • Guarde a ponte e o Templo Wuyou para o fim do dia — quase não há lá ninguém
  • Leve água; pode comprar café no Luckin Coffee junto à entrada

Porquê Ir

Está-se junto ao Grande Buda, com a cabeça inclinada para trás, e mesmo assim não se consegue abarcar a cabeça inteira de uma só vez — é nesse momento que se percebe por que razão as pessoas vêm. 71 metros, 1.200 anos, noventa anos de escultura e um monge que deu a sua visão pela ideia. E ao lado, uma ilha tranquila com pavões e quinhentos santos de pedra, aonde poucos chegam. Se estiver em Sichuan, não fique só pelo Buda: atravesse a ponte e suba até ao Templo Wuyou. A melhor parte deste percurso está muitas vezes mesmo no fim.

FAQ

Como chegar a Leshan a partir de Portugal?

Não há voos diretos. A partir de Lisboa ou do Porto, voa-se até Chengdu normalmente com escala em Istambul ou noutro hub. Já em Chengdu, o comboio de alta velocidade leva-o de Chengdu Este ou Chengdu Sul até à estação de Leshan em cerca de 1 hora, e dali o autocarro n.º 3 vai até ao parque. Tenha em conta que os cidadãos portugueses precisam de visto para a China; as condições mudam com frequência, por isso confirme antes de viajar.

Como chego ao Grande Buda de Leshan a partir de Chengdu?

A forma mais fácil é o comboio de alta velocidade de Chengdu Este ou Chengdu Sul até à estação de Leshan, cerca de uma hora. Da estação de Leshan, o autocarro n.º 3 vai até ao parque, mais uns 45 minutos.

Quanto custa a entrada no parque do Grande Buda?

Em época alta (1 de abril a 7 de outubro) o bilhete custa 80 yuans (cerca de 10 €), em época baixa 50 yuans (cerca de 6,50 €). Crianças com menos de 1,2 m e menores de 6 anos, e visitantes a partir dos 65 anos, entram gratuitamente. O passeio de barco é um bilhete à parte, cerca de 70 yuans (≈ 9 €).

De quanto tempo preciso?

O percurso em si — da entrada até ao Templo Wuyou na ilha — demora cerca de 2 a 3 horas. Com o passeio de barco e as filas de fim de semana, conte com cerca de meio dia.

A descida até aos pés é difícil?

A descida das Nove Curvas é íngreme e estreita em certos pontos, mas segura: há corrimãos sólidos ao longo da borda. Qualquer pessoa em forma razoável consegue; basta não ter pressa. Pode haver fila na descida aos fins de semana.

Vale a pena o passeio de barco?

Sim, se tiver tempo. Da água vê-se todo o Buda de frente — exatamente como foi pensado para ser visto, e uma vista que não se consegue a pé. O passeio dura cerca de 30 minutos e o barco para à frente da estátua.

Qual é a melhor altura para visitar o Grande Buda de Leshan?

Chegue à hora de abertura, para chegar ao Buda antes da maior multidão e evitar a fila na descida. No outono, os crisântemos florescem no Templo Wuyou. Deixe a segunda metade do dia para a ilha — poucos chegam tão longe.

O que mais há para ver além do Buda?

A Gruta de Maitreya, a “Gruta da Anotação do Yijing” taoista, o Templo Lingyun, a gruta do monge Haitong e — depois da saída — a Ponte Haoshang e o Templo Wuyou com a sua sala de 500 arhats. O Templo Wuyou é o que vale a pena guardar para o fim do percurso.

Similar Posts