Bósnia e Herzegovina de carro: roteiro de 7 dias a partir da Sérvia

Um roteiro de uma semana por toda a Bósnia e Herzegovina: da fronteira sérvia, no nordeste, atravessando o centro do país até Sarajevo, depois para sul, na Herzegovina, e de volta. Cerca de 900 quilómetros, quatro bases para dormir e sete paragens, a maioria só acessível de carro.

White Ottoman dervish house at the Buna river spring under a limestone cliff, Blagaj, Bosnia
O tekke de Blagaj — uma casa de dervixes na nascente do rio Buna, a doze quilómetros de Mostar

Porque é que a Bósnia se percorre de carro

A Bósnia e Herzegovina é um país pequeno, mas montanhoso. Estradas rectas praticamente não existem: os traçados seguem os vales dos rios e os desfiladeiros, por isso 150 quilómetros no mapa transformam-se facilmente em três horas ao volante. Os autocarros interurbanos ligam apenas as cidades maiores, e boa parte do que interessa fica precisamente pelo meio — moinhos de água num rio, aldeias nas encostas, nascentes na floresta.

De carro esses pontos encadeiam-se num único roteiro, e as distâncias entre eles são curtas: numa semana dá realmente para ver o centro da Bósnia, Sarajevo e a Herzegovina sem mudar de hotel todas as noites.

O roteiro abaixo começa na Sérvia, mas funciona igualmente bem a partir da Croácia (por Zagreb ou Split) e do Montenegro (por Trebinje). A ordem das paragens é flexível — as variantes estão reunidas no final do artigo.

O roteiro em resumo

  • Dia 1: fronteira sérvia → aldeia etnográfica de Mackovac → noite perto de Tuzla
  • Dia 2: Tuzla → Travnik (mesquita pintada, fortaleza) → Jajce
  • Dia 3: Jajce — moinhos do Pliva, cascata, fortaleza → viagem até Sarajevo
  • Dia 4: um dia inteiro em Sarajevo
  • Dia 5: Sarajevo → Mostar (por Konjic e o vale do Neretva)
  • Dia 6: Blagaj, Kravica, Mostar ao fim do dia
  • Dia 7: regresso a norte — Vrelo Miljacke e a fronteira
  • Total: cerca de 900 km, 4 bases para dormir

Prática: fronteiras, estradas, dinheiro

A fronteira. Há vários postos entre a Sérvia e a Bósnia; os mais práticos para este roteiro são Rača (na estrada Belgrado–Bijeljina) e Zvornik. No verão formam-se filas nos postos mais movimentados, normalmente 20 a 40 minutos. Com um carro de aluguer é necessário avisar a empresa com antecedência sobre a passagem de fronteira: é preciso a carta verde, o certificado internacional de seguro. Muitas empresas cobram uma taxa à parte, cerca de 30–60 € por aluguer.

Estradas. Há poucas auto-estradas — um trecho com portagem da A1 em torno de Sarajevo e a norte, em direcção à fronteira croata, cerca de 4–6 € por 100 km, pagos em dinheiro ou com cartão nas cabinas. Todo o resto são estradas comuns de duas vias, muitas vezes sinuosas. A velocidade média no país fica nos 50–60 km/h, por isso convém contar com folga.

Dinheiro. A moeda é o marco convertível (BAM, escrito KM no país). Está indexado ao euro: 1 € ≈ 1,96 KM. Nos locais turísticos aceitam euros, mas o troco vem em marcos e a uma taxa desfavorável. Os cartões funcionam nas cidades; para estacionamentos, sítios naturais e cafés pequenos é preciso dinheiro.

Combustível. Cerca de 2,4–2,6 KM por litro (aproximadamente 1,25 €). Há bombas mesmo em zonas rurais, mas na montanha as distâncias entre elas podem ser longas.

Onde dormir. Uma distribuição que funciona: Tuzla (ou Banovići), Jajce, Sarajevo duas noites, Mostar duas noites. Um quarto duplo numa cidade pequena custa 60–90 KM (30–45 €); em Sarajevo e Mostar, 90–150 KM (45–75 €).

Dia 1. Da Sérvia para a Bósnia: a aldeia etnográfica de Mackovac

A primeira paragem depois da fronteira é Mackovac, um museu privado ao ar livre a meia hora de Tuzla. Não é uma instituição estatal, mas o projecto de uma só família: casas bósnias antigas, celeiros e oficinas recolhidos nas aldeias da região e reconstruídos aqui. A colecção tem mais de 30 000 objectos.

Para o primeiro dia no país é uma paragem útil: em hora e meia percebe-se como estava organizada a vida rural nesta parte dos Balcãs há um século. Mais adiante no roteiro começa-se a reconhecer as mesmas varandas de madeira e telhados de tabuinha em aldeias reais.

O conjunto está disposto como um grande pátio de aldeia, com as casas ligadas por pontes e caminhos empedrados

No recinto funciona um restaurante de cozinha bósnia — está construído sobre a água

Sobre a aldeia, os preços e a comida há um artigo próprio: a aldeia etnográfica de Mackovac.

Informação prática

  • Onde: Etno avlija Mačkovac, aldeia de Mačkovac, a 5 km de Banovići, 30 km de Tuzla
  • GPS: 44.38, 18.50 (aproximado)
  • Quanto tempo: 1,5–2 horas com almoço
  • Do posto de Rača: cerca de 110 km, 2 horas
  • Onde dormir: Tuzla é a cidade mais próxima com oferta hoteleira razoável

Dia 2. Pelo centro da Bósnia até Travnik

O segundo dia é quase todo de estrada. A oeste de Tuzla a via é uma estrada comum de duas vias entre colinas: pastagens, casas dispersas pelas encostas, medas de feno. Não há miradouros construídos, mas as bermas são largas e pode-se parar quase em qualquer ponto — conte com mais tempo do que o navegador indica.

O centro da Bósnia entre Tuzla e Travnik

Šarena Džamija — a mesquita pintada de Travnik

Durante quatrocentos anos Travnik foi a sede dos governadores otomanos da Bósnia, e a cidade continua organizada como uma pequena capital: ruas estreitas, casas de pedra, uma fortaleza acima dos telhados.

O edifício principal é a Šarena Džamija, que se traduz por «mesquita colorida» ou «mesquita pintada». A fachada está coberta de pintura: árvores em flor, videiras, papoilas, caligrafia árabe. Este tipo de pintura é raro na arquitectura islâmica, que habitualmente se limita à geometria e ao ornamento abstracto. A mesquita é do século XVI e ganhou a forma actual no início do século XIX, depois de um incêndio.

Outro detalhe pouco comum: a sala de oração não está ao nível do chão, mas no piso superior — por baixo passa um bezistan, uma galeria comercial coberta. Ou seja, mercado e mesquita partilham o mesmo edifício.

A pintura cobre as paredes exteriores e o portal — árvores em flor, videiras e caligrafia

Stone sadrvan ablution fountain in the courtyard of the Colourful Mosque, Travnik
O šadrvan, a fonte de ablução no pátio da mesquita

A fortaleza acima da cidade

Da mesquita à fortaleza são cerca de quinze minutos a subir. Foi construída no século XV sob os reis bósnios e ergue-se num rochedo directamente acima do centro antigo. Por dentro quase nada resta; sobe-se pela vista — telhados de telha, minaretes, um cemitério na encosta e montanhas em volta.

Da muralha e por uma seteira — Travnik ocupa um vale estreito

Informação prática

  • Šarena Džamija: Google Maps, entrada livre, as mulheres precisam de lenço
  • Fortaleza de Travnik: cerca de 3 KM (1,50 €), aberta todos os dias
  • GPS da mesquita: 44.2266, 17.6664
  • Quanto tempo para Travnik: 2–3 horas
  • Tuzla → Travnik: 130 km, cerca de 2,5 horas

O trecho seguinte: um desfiladeiro e nevoeiro

De Travnik a Jajce são 70 quilómetros, mas a estrada atravessa um desfiladeiro. O tempo muda aqui em minutos: um vale de sol transforma-se em nevoeiro espesso onde só se distingue a berma e os abetos que a acompanham. Conduzir assim é seguro, mas lento — conte com hora e meia para este trecho.

O desfiladeiro entre Travnik e Jajce

Dia 3. Jajce e os moinhos do Pliva

Jajce foi a capital do reino medieval da Bósnia e tem uma disposição invulgar: uma cascata de 22 metros cai em plena zona urbana, onde o Pliva desagua no Vrbas. Uma queda de água desta dimensão dentro do tecido construído é um caso raro na Europa.

A segunda parte da cidade fica a cinco quilómetros, nos lagos Pliva. Entre o lago grande e o pequeno a água desce em cascatas, e sobre essas cascatas assentam cerca de vinte minúsculos moinhos de madeira — os mlinčići. Têm mais de duzentos anos: os moinhos pertenciam à comunidade e cada família moía o seu grão no seu. Já não funcionam, mas as estruturas foram conservadas.

Wooden watermills Mlincici on the Pliva river cascades near Jajce, Bosnia
Os mlinčići — moinhos sobre as cascatas entre os lagos Pliva

Cada moinho assenta no seu próprio braço de corrente

Wooden boardwalk through the forest along the Pliva river, Jajce, Bosnia
Passadiços de madeira acompanham a água — dá-se a volta ao recinto em cerca de quarenta minutos

Sobre os lagos Pliva e a Ponte do Amor há um artigo separado: os lagos Pliva e os moinhos de Jajce.

Informação prática

  • Moinhos do Pliva: entrada livre, recinto aberto 24 horas, estacionamento ~1 KM por hora
  • GPS: 44.3350, 17.2400
  • Cascata do Pliva na cidade: plataforma de observação, cerca de 4–10 KM (2–5 €) segundo o nível
  • Fortaleza de Jajce: cerca de 3 KM (1,50 €)
  • Quanto tempo: meio dia para os lagos, meio dia para a cidade
  • Jajce → Sarajevo: 165 km, cerca de 3 horas

Dia 4. Sarajevo num dia

O centro de Sarajevo é compacto: tudo o que segue faz-se a pé num dia. Deixe o carro num estacionamento pago junto ao hotel — o centro antigo é quase todo pedonal e os lugares lá dentro são escassos.

Pequeno-almoço fora do centro

O Mrvica é um café-padaria afastado do centro turístico, a cerca de quinze minutos a pé de Baščaršija ou cinco de carro. Os pequenos-almoços são europeus: ovos benedict, croissants, pastelaria; não há filas nem aos fins de semana.

Croissant with salmon and poached egg on a plate at Mrvica cafe in Sarajevo
Croissant com salmão e ovo escalfado no Mrvica

Dica: se for de carro, tomar o pequeno-almoço fora de Baščaršija é mais prático — há mais calma e é mais fácil estacionar. Mrvica no mapa.

Baščaršija e o centro antigo

Baščaršija é o bairro comercial otomano do século XV e a parte mais antiga da cidade. Lojas baixas de pedra, oficinas de latoeiros, cafés. Numa das ruas há uma linha embutida na calçada com a inscrição «Sarajevo — Meeting of Cultures»: de um lado, a construção otomana; do outro, a austro-húngara. A diferença vê-se num único passo.

Um minarete e uma torre sineira no mesmo quarteirão — cena corrente em Sarajevo

Vijećnica — a Câmara Municipal

A Vijećnica (Gradska vijećnica) foi construída em 1896 em estilo neomourisco: os arquitectos austro-húngaros tomaram como modelo as mesquitas e os palácios do Cairo e da Andaluzia. Para um visitante português o vocabulário é reconhecível: os arcos em ferradura e o trabalho de estuque remetem directamente para o legado mourisco de Mértola ou do Algarve. Mais tarde o edifício albergou a Biblioteca Nacional. Ficou muito danificado nos anos 1990 e foi restaurado até 2014.

Entra-se pelo átrio central: tecto de vitrais, arcos em ferradura em três níveis, decoração pintada em todas as superfícies.

Moorish revival arches and painted ceiling inside Sarajevo City Hall Vijecnica
O átrio da Vijećnica — três níveis de arcos em torno de um espaço aberto
Stained glass ceiling with blue floral pattern inside Sarajevo City Hall
O tecto de vitrais sobre o átrio

Informação prática

  • Vijećnica: Obala Kulina bana 1, Sarajevo
  • Horário: todos os dias 09:00–17:00
  • Entrada: cerca de 10 KM (5 €)
  • GPS: 43.8590, 18.4340

Inat Kuća — a «casa do despeito»

Precisamente em frente da Vijećnica, na outra margem do Miljacka, está uma pequena casa otomana. Quando, no final do século XIX, começaram as obras da Câmara naquele terreno, o proprietário recusou-se a sair. O acordo foi este: receberia um saco de moedas de ouro, e a casa seria desmontada pedra a pedra e reconstruída na margem oposta. Foi exactamente o que aconteceu — daí o nome Inat kuća, «casa do despeito». Desde 1997 funciona lá um restaurante.

A comida é média, o sortido bósnio habitual. Entra-se sobretudo pelo interior — tectos esculpidos e pintados, lareira de pedra, bordados nas paredes — e pela vista da Vijećnica pelas janelas.

Dentro da Inat Kuća — tectos pintados e lareira de pedra

Sarajevo City Hall seen from under a bridge over the Miljacka river
A Vijećnica da margem oposta do Miljacka

O museu da cervejeira de Sarajevo

A cervejeira de Sarajevo funciona desde 1864, o que a torna uma das empresas mais antigas do país. O complexo de tijolo vermelho com remates amarelos e torre do relógio é do período austro-húngaro e ocupa um quarteirão inteiro no bairro de Bistrik. Um detalhe da história local: durante o cerco da cidade, nos anos 1990, a nascente artesiana no recinto foi uma das poucas fontes de água potável acessíveis.

A cervejeira tem um museu pequeno: garrafas, etiquetas, maquinaria e documentos de século e meio. A visita leva cerca de uma hora, e a fábrica fica a dez minutos a pé de Baščaršija.

O edifício da cervejeira em Bistrik — tijolo vermelho, remates amarelos e torre do relógio

Informação prática

  • Endereço: Franjevačka 15
  • Horário: seg–sáb, 11:00–17:30
  • Entrada: 5 KM (2,50 €)
  • Nota: é melhor combinar a visita com antecedência, os grupos são limitados

A marginal do Miljacka e a Ponte Latina

O Miljacka é um rio pequeno e todo o centro se estende ao longo dele. Atravessam-no mais de dez pontes, e um passeio pela marginal é a forma mais simples de entender a planta da cidade. A Ponte Latina é aquela junto à qual o arquiduque Francisco Fernando foi assassinado em 1914, o acontecimento que desencadeou a Primeira Guerra Mundial. Ao lado há um museu pequeno.

Latin Bridge and Austro-Hungarian buildings along the Miljacka river in Sarajevo
A marginal do Miljacka junto à Ponte Latina
View along the Miljacka river with bridges and hills above Sarajevo
A cidade fica encaixada entre duas encostas — da marginal vê-se bem

Mejtaš — um bairro residencial acima do centro

Mejtaš é um bairro de encosta a dez minutos a pé de Baščaršija, onde os circuitos turísticos quase não chegam. Vilas austro-húngaras com estuques, roseiras junto aos muros, ruas inclinadas; num só quarteirão há uma sinagoga, uma mesquita e um instituto católico.

Aqui não há monumentos no sentido habitual — nem museus nem miradouros. É um bairro de habitação onde vale a pena subir para ver como a cidade funciona fora do centro antigo. Mejtaš no mapa.

Vilas austro-húngaras e rosas junto aos muros — uma rua qualquer de Mejtaš

Dia extra: Bjelašnica e a pista para Lukomir

Se sobrar um dia em Sarajevo, vale a pena gastá-lo a subir à montanha. Numa hora chega-se da cidade ao planalto da Bjelašnica — o mesmo maciço que acolheu provas dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1984. A estrada até à estação de esqui é boa e alcatroada; a partir dali começa a alta montanha: prados cársicos, cristas de rocha nua, alguma cabana de pastor e quase ninguém em volta.

O planalto da Bjelašnica em Junho — a 1.500 metros a erva ainda está verde

O destino desta pista é Lukomir, a aldeia mais alta da Bósnia e Herzegovina: 1.495 metros, cerca de cinquenta casas de pedra com telhados de tabuinha de madeira, na borda do desfiladeiro do Rakitnica. A aldeia vive à antiga: no verão pastoreiam-se ovelhas e, para o inverno, a maioria dos habitantes desce ao vale — a pista enche-se de neve e a aldeia fica isolada durante meses.

Não conseguimos chegar. Passada a estação de esqui o alcatrão acaba, e os últimos quinze quilómetros são uma pista pedregosa pelas encostas: estreita, com degraus e sem espaço para cruzar. Com um carro normal de pouca altura ao solo é má ideia, e voltámos para trás antes da aldeia. O planalto e as vistas do caminho compensaram de qualquer forma, mas Lukomir fica para a próxima vez.

É esta a pista que leva a Lukomir, e os prados de altitude que a acompanham

A opção sensata é ir com um operador local. De Sarajevo saem safáris em 4×4 até à Bjelašnica e a Lukomir: dia inteiro, cerca de oito horas, normalmente com paragem nas stećci, as lajes funerárias medievais de Umoljani, e almoço na aldeia. O sítio vale realmente a pena, e na próxima vez chegarei lá.

Informação prática

  • Lukomir: 1.495 m, a cerca de 50 km de Sarajevo, mas o percurso leva 2–2,5 horas em cada sentido
  • Por conta própria: só em 4×4 com boa altura ao solo; depois de chuva, não tente
  • Época: aproximadamente de meados de Maio a Outubro, no inverno a aldeia fica isolada
  • Safári 4×4 de Sarajevo: dia inteiro (8 horas), lugar em grupo a partir de cerca de 100 €, veículo privado para 2–3 pessoas a partir de cerca de 210 €
  • Também pelo caminho: a estação da Bjelašnica, as rampas olímpicas do Igman, as stećci de Umoljani

Dia 5. Sarajevo → Mostar

A estrada para a Herzegovina segue o Neretva: primeiro montanhas e floresta de coníferas, depois o lago de Jablanica junto a Konjic, e a partir daí uma mudança de clima nítida. O verde vai desaparecendo e aparecem a pedra, as figueiras, as romãzeiras e as vinhas. A Herzegovina é já mediterrânica, e no verão está 8 a 10 graus mais quente do que Sarajevo.

Valley with scattered red-roofed villages and hills on the road to Mostar, Bosnia
Os vales no caminho para sul

O centro de Mostar está construído em torno da Ponte Velha. Foi erguida em 1566 pelo arquitecto Mimar Hayruddin, discípulo de Sinan, o grande mestre otomano do século XVI: um único arco de pedra de 27 metros, sem apoios. A ponte foi destruída em 1993 e reconstruída no âmbito de um programa da UNESCO em 2004; entrou na lista do Património Mundial em 2005. Saltar da ponte para o Neretva é uma tradição local que vem do século XVII; hoje é também uma etapa do circuito mundial de saltos de falésia.

Um pouco a montante está uma segunda ponte, a Kriva Ćuprija, a «ponte torta» — pequena, do século XVI. Há uma hipótese de que tenha sido construída como modelo de ensaio antes da Ponte Velha.

A Ponte Velha e a Kriva Ćuprija — a segunda ponte, mais pequena, de Mostar

Sunset over Mostar with the silhouette of a church tower and minaret
Mostar ao fim do dia, visto das colinas

Dica: em Mostar vale a pena ficar duas noites. De dia o centro antigo está muito cheio — chegam autocarros de Dubrovnik e Split. Depois das sete da tarde partem, e as ruas ficam bastante mais livres.

Dia 6. Blagaj e a cascata de Kravica

Mostar é uma boa base para saídas curtas — os dois principais pontos da Herzegovina ficam a meia hora.

Blagaj — o tekke na nascente do Buna

A doze quilómetros de Mostar o Buna sai de baixo de uma escarpa de duzentos metros, já caudaloso, frio e turquesa. Junto à própria nascente, encostada à rocha, está uma casa branca com miradores de madeira: é um tekke, uma residência de dervixes, uma confraria sufi. Foi construída no início do século XVI.

O local não foi escolhido ao acaso: as comunidades sufis instalavam-se onde a água brota da terra. Pode-se entrar — conservam-se as salas de oração, com tectos esculpidos com crescentes e soalhos antigos. Descalçam-se os sapatos à entrada e às mulheres é dado um lenço.

O tekke está encostado à escarpa, precisamente onde o Buna sai da terra; por dentro conservam-se tectos esculpidos

Informação prática

  • Onde: Blagaj, a 12 km de Mostar, Google Maps
  • GPS: 43.2560, 17.8975
  • Horário: 08:30–20:30 no verão, até às 17:00 fora de época
  • Entrada: cerca de 8–10 KM (4–5 €)
  • Quanto tempo: 1–1,5 horas, mais o almoço num dos restaurantes sobre a água

Kravica — uma cascata a 40 minutos de Mostar

Kravica não é uma queda única, mas um semicírculo de dezenas de fios de água que caem 25 metros para uma bacia comum. No verão pode-se tomar banho e há cafés e barcos; na primavera, com mais caudal, o banho é fechado mas a cascata fica bastante mais potente.

Do estacionamento desce um caminho de cerca de dez minutos; há também um pequeno trenzinho para quem preferir não subir de volta.

Kravica waterfall with many streams falling into a pool, Herzegovina
Kravica — 25 metros de altura e mais de cem de largura

Informação prática

  • Onde: a 40 km de Mostar, junto à localidade de Ljubuški
  • GPS: 43.1583, 17.6083
  • Entrada: 20 KM (10 €)
  • Horário: 07:00–22:00 no verão, 07:00–19:00 no inverno; cobra-se das 08:00 às 20:00
  • Dica: vá à abertura ou depois das sete da tarde — em época alta o meio do dia está muito cheio

Dia 7. De volta a norte e Vrelo Miljacke

O regresso à Sérvia passa por Sarajevo e depois para leste, em direcção a Višegrad. De manhã a montanha está quase sempre com nevoeiro: fica nos vales cerca de hora e meia depois do nascer do sol e levanta assim que o sol passa a crista.

Manhã na montanha no caminho para norte

A última paragem é Vrelo Miljacke, a nascente do rio que atravessa Sarajevo. Fica a vinte quilómetros da capital, depois da localidade de Pale, na encosta da Ravna Planina, a cerca de 1.000 metros. A água sai das fissuras cársicas logo com grande caudal e desce pela floresta em cascatas, entre blocos cobertos de musgo.

O sítio não está desenvolvido: poucas placas, quase nenhuma infra-estrutura, um caminho curto e fácil. Há bastante menos gente aqui do que em qualquer outra paragem do roteiro.

Vrelo Miljacke — a água sai de baixo da rocha e desce pela floresta em cascatas

Informação prática

  • Onde: Gornje Pale, a 20 km de Sarajevo, Google Maps
  • GPS: 43.79, 18.61 (aproximado)
  • Entrada: livre
  • Quanto tempo: 1–1,5 horas
  • Calçado: o caminho é de terra e escorrega depois da chuva, é melhor levar ténis
  • Depois: cerca de 100 km até à fronteira sérvia em Višegrad

Como adaptar o roteiro

Esta versão não é a única possível e reorganiza-se com facilidade.

  • Se vier da Croácia (Zagreb, Split, Dubrovnik) — inverta o roteiro: primeiro a Herzegovina, depois Sarajevo e por fim o centro da Bósnia. Mackovac encaixa então no final, ou substitui-se por Tuzla.
  • Se vier do Montenegro — entre por Trebinje e acrescente um dia para Stolac e Počitelj no caminho para Mostar.
  • Se tiver 5 dias em vez de 7 — retire Mackovac e Vrelo Miljacke e fique com Travnik – Jajce – Sarajevo – Mostar.
  • Se tiver 10 dias — acrescente Stolac, Počitelj e Trebinje no sul, e o parque nacional de Kozara ou Bihać com o rio Una no noroeste.
  • Se quiser montanha — reserve um dia em Sarajevo para a Bjelašnica e Lukomir (ver a secção extra acima) ou para Jahorina; de Jajce pode passar um dia inteiro nos lagos Pliva com campismo.

A única coisa que não convém mudar: não tente fazer Sarajevo em meio dia. A cidade precisa de um dia inteiro, no mínimo, e dia e meio é melhor.

O que provar pelo caminho

  • Ćevapi — pequenos rolos de carne grelhada, servidos em pão achatado somun com cebola e kajmak, um creme coalhado ligeiramente ácido. Uma dose de 10 custa 8–12 KM (4–6 €). Em Sarajevo é a comida de base da cidade.
  • Burek — um rolo de massa fina com carne; com queijo chama-se sirnica, com espinafres zeljanica. 3 a 5 KM por dose.
  • Bosanski lonac — guisado de legumes e carne, estufado durante horas em panela de barro.
  • Café bósnio — feito na džezva e servido com um pedaço de lokum e um cubo de açúcar. 2 a 3 KM.
  • Romãs e figos na Herzegovina — vendem-se à beira da estrada directamente das quintas, de Julho a Outubro.

Perguntas frequentes

Quantos dias são necessários para a Bósnia de carro?

Sete dias servem bem: dá para o centro da Bósnia, Sarajevo e a Herzegovina sem mudar de hotel todas as noites. Cinco dias dão uma versão reduzida — Travnik, Jajce, Sarajevo, Mostar. Com dez pode-se acrescentar o noroeste com o rio Una e o sul com Stolac e Počitelj.

Como chegar à Bósnia a partir de Portugal?

Sarajevo tem ligações a partir de Lisboa e do Porto com escala em Istambul, Viena ou Munique. Um carro de aluguer no aeroporto de Sarajevo custa a partir de cerca de 35–45 € por dia no verão. Split e Dubrovnik, na Croácia, são outra porta de entrada frequente para este roteiro, com voos directos de Lisboa no verão.

Pode-se entrar na Bósnia com um carro de aluguer a partir da Sérvia?

Sim, mas é necessário avisar a empresa com antecedência e obter a carta verde, o certificado internacional de seguro. Muitas empresas cobram um suplemento de cerca de 30–60 €. Sem aviso, a passagem de fronteira pode violar as condições do aluguer.

É difícil conduzir na Bósnia?

As estradas são sobretudo de duas vias e de montanha, mas o pavimento está bom e o trânsito é reduzido. A principal dificuldade é o ritmo: 150 km no mapa significam quase sempre 2,5–3 horas reais. No inverno os pneus de inverno são obrigatórios na montanha.

Qual é a moeda da Bósnia e Herzegovina?

O marco convertível (BAM, KM), indexado ao euro: 1 € ≈ 1,96 KM. Em muitos locais turísticos aceitam euros, mas a uma taxa desfavorável. É preciso dinheiro para estacionamentos, cafés pequenos e entradas em sítios naturais.

Consegue-se chegar a Lukomir com um carro normal?

Não. Passada a estação de esqui da Bjelašnica o alcatrão acaba e os últimos 15 quilómetros são uma pista pedregosa — é preciso um 4×4 com boa altura ao solo. Com um sedan ou um SUV leve é melhor não tentar, sobretudo depois de chuva. A alternativa é um safári em 4×4 de Sarajevo, de dia inteiro.

Qual é a melhor época?

Maio–Junho e Setembro. No verão a Herzegovina fica muito quente (até 40 °C), e Mostar e Kravica enchem-se de grupos de autocarro. Na primavera as cascatas levam mais água; no outono o centro da Bósnia está mais bonito.

É preciso visto?

Os cidadãos da UE, do Reino Unido, dos EUA, do Canadá e da Austrália não precisam para estadas até 90 dias: basta o passaporte. Para outras nacionalidades convém confirmar as condições antes de viajar.

É seguro viajar pela Bósnia?

Sim, a criminalidade é baixa e os visitantes são bem recebidos. Nos percursos de natureza convém seguir os caminhos marcados e, na montanha, acompanhar o tempo: o nevoeiro e a chuva chegam depressa.

Em resumo

Numa semana a Bósnia muda de carácter várias vezes: colinas e casas de madeira no norte, a Travnik otomana, desfiladeiros de montanha, Sarajevo com a sua mistura de minaretes e estuques austro-húngaros, e por fim a Herzegovina quente e pedregosa com águas turquesa. As distâncias, no entanto, são curtas — raramente mais de três horas entre paragens.

O carro é a opção lógica: boa parte deste roteiro é o que fica entre as cidades, e os transportes públicos não vão até lá.

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