Caminhada de outono nas montanhas
O sol desceu rapidamente atrás das nuvens que repousavam nos cumes das montanhas, deixando para trás apenas alguns raios e uma névoa colorida incrível. Após o seu ocaso, rapidamente escureceu e fez muito frio. Entrámos na tenda e, sem nos despir, enrolamo-nos em dois sacos de dormir ao mesmo tempo para não gelar. A temperatura lá fora estava a aproximar-se de zero. Nunca tinha visto um céu estrelado tão infinito como naquela noite. Poder-se-ia perder à procura de constelações familiares nessa incontável dispersão de luzes de mundos distantes. Era impossível desviar o olhar daquele espetáculo, e sentia o coração bater mais depressa, experimentando um encantamento pelo que via e pensamentos sobre algo maior que este cosmos revelou no céu, com a Via Láctea derramada por todo o firmamento.

Subindo lentamente a montanha pelo caminho florestal, cedendo o passo aos trail runners que passavam por nós, parávamos a cada momento para contemplar melhor as paisagens das montanhas de outono que se nos iam revelando.



O tempo nas montanhas é imprevisível. Caminhávamos naquela névoa como se nadássemos em água turva. As roupas ficaram cobertas de humidade e, pelas fracas rajadas de vento que ocasionalmente tentavam dissipar este ar denso, sentia-se frio. E então, numa das clareiras, vimos o acampamento ao longe. Ficámos a saber que restava muito pouco caminho, já estava a escurecer e decidimos apressar o passo, continuando a jornada sem esperar que a nuvem se dispersasse…



De manhã cedo, fomos recebidos pela geada a cintilar na relva, que nos lembrava da noite fria passada. Ela brilhava na relva verde-amarelada com gotas iridescentes e derretia lentamente, iluminada pelos raios quentes do sol que subia rapidamente.


