Passeios por Istambul
O ruído incessante e o tumulto, as falas da multidão multilingue, os gritos dos vendedores nas lojas e as buzinas estridentes dos carros não deixavam relaxar um único minuto. A cidade fervilhava dia e noite. Em meio a toda esta azáfama, os milhares de gatos que dormiam tranquilamente em peitoris de janelas, capôs de carros, mesas de cafés e frequentemente mesmo no meio da rua eram o sal desta cidade, que já não lhe faltam especiarias. Caminhamos pela Ponte Gálata entre dezenas de pescadores e embarcamos na barca que estava prestes a partir. As gaivotas circulavam sobre as nossas cabeças, cortando o céu sobre o Bósforo com os seus gritos e mergulhando na água para apanhar peixes, e ao som do canto do muezim, o sol iluminou os velhos telhados de telha com os seus últimos raios. Em apenas dez minutos, a barca transportou-nos magicamente de continente a continente, da Europa para a Ásia. Era Istambul.

As portas das casas de Istambul merecem uma menção especial. Grades forjadas, entalhes elaborados, portas cobertas de hera, placas de número pintadas, bonecas e outras decorações… Em quase todas as casas, a porta foi conservada tal como parece ter sido originalmente, o que complementa muito bem o quadro geral da arquitetura e da cidade. Isto revela a atitude das pessoas para com as suas casas e o facto de valorizarem e respeitarem genuinamente este património histórico.

Istambul é a cidade dos mil gatos. Aqui adoram-nos e os moradores constroem-lhes casinhas na rua, alimentam-nos e cuidam deles. Nunca vi tantos gatos em nenhuma cidade — aqui estão literalmente a cada passo. A maioria deles, ao contrário dos gatos de rua nas nossas cidades, não tem absolutamente medo das pessoas; podem ser acariciados e é visível que gostam. Dizem que os verdadeiros governantes de Istambul são os gatos, e olhando para as suas focinheiras satisfeitas e brilhantes quando se espreguiçam ao sol a pino do dia, não posso discordar.)

Para a autenticidade local, dirija-se a Balat. Este é o antigo bairro judeu de Istambul. Muitas casas coloridas de madeira e tijolo, arte de rua em cada segunda parede, ruas com casas de café e lojas artesanais que se encostam a ruas com roupa a secar e crianças descalças a jogar à bola. Aqui pode-se sentir o espírito da cidade, e o lugar é realmente muito diferente do turístico Sultanahmet. Mas ao dirigir-se a Balat, lembre-se de que esta é uma zona pobre e que, a seguir a umas quantas ruas turísticas, espera-o o verdadeiro Istambul, que nem sempre é hospitaleiro. Por isso planeie uma saída diurna e deixe o colar de diamantes no cofre do hotel 🙂



Na verdade, a principal atração de Istambul não são as magníficas mesquitas nem o Bósforo, mas o mais comum chá turco. Não há uma única manhã entre os locais que passe sem ele, e a caminhar pelas ruas da cidade ouvirá por toda a parte o tinido das colheres de chá nestes belos copos em forma de tulipa. Visitar Istambul e não beber chá turco é simplesmente imperdoável — embora o chá em si, para ser honesto, não seja para toda a gente. É muito forte e adstringente, e se um turco lhe puser açúcar, será açúcar a transbordar. É ótimo tomar um chazinho quando se vai de barca de uma parte da cidade para outra, custando apenas 3 liras. Mas, para ser honesto, eu não apreciei nada o chá turco) É demasiado forte.)


Nota para os gulosos: o melhor baklava fica no Karaköy Güllüoğlu, no cais de Karaköy. Confirmado 😉
Para café turco, dirija-se ao Velvet Cafe. Fica em Balat e não muito longe da Torre de Gálata. Não se esqueça de escolher a caneca certa para si — pergunte ao empregado e vai perceber o que quero dizer 😉 Para sobremesas, experimente o Halva, e o bolo de laranja é muito bom.
Na zona de Kadıköy, há uma excelente pastelaria, Beyaz Fırın. Dificilmente conseguirá sentar-se lá — há apenas algumas mesas na rua — mas vale a pena levar consigo uns bolos e um croissant de chocolate.)
Para um pôr do sol inesquecível, dirija-se ao Grace Roof Top Restaurant. Não se esqueça de reservar uma mesa com tapetes no terraço — é popular e vale a pena ir ao restaurante só por isso.
